Entrei no Banco do Brasil em outubro de 2010 como escriturário. Tudo que sei sobre liderar pessoas, aprendi antes de ter qualquer cargo de gestão.
O primeiro dia de um escriturário
Quando comecei, minha função era simples: atender, registrar, processar. Não havia poder de decisão. Não havia equipe para gerir. Havia, sim, clientes — pessoas reais, com problemas reais, esperando uma solução.
Foi no balcão que entendi algo que nenhum MBA me ensinou com a mesma clareza: as pessoas não se lembram do que você fez, mas de como se sentiram quando saíram da sua frente. Um cliente atendido com eficiência é um cliente atendido. Um cliente atendido com atenção é um cliente que volta.
Liderança antes do cargo
Existe uma crença comum de que liderança começa com um cargo. Que antes do título de gerente, você não lidera ninguém. Eu discordo.
No balcão, eu escolhia todo dia que tipo de colega seria. Se ajudava quem estava sobrecarregado ou esperava o turno terminar. Se passava o que sabia para os mais novos ou guardava como vantagem pessoal. Essas escolhas diárias, invisíveis nos relatórios, eram o início da minha construção como líder.
O que muda — e o que não muda — quando você vira gerente
Quando assumi minha primeira gerência, esperava que tudo mudasse. E muito mudou: responsabilidade, complexidade, exposição. Mas o que surpreendeu foi o que não mudou.
A essência continuava sendo a mesma: ver pessoas, entender o que as motiva, criar condições para que façam o melhor trabalho possível. O cargo muda a escala. Não muda o princípio.
Em mais de 15 anos e quatro agências como gestor, vi equipes medianas virarem equipes de alto desempenho — não porque eu trouxe uma metodologia nova, mas porque as pessoas passaram a acreditar que valiam mais do que o resultado do mês anterior.
A lição que o balcão ensina todo dia
Se você está no começo da carreira e sente que ainda não tem espaço para liderar, eu te peço que reconsidere. Liderança não é uma função atribuída — é uma postura escolhida.
Você lidera quando assume responsabilidade por algo que não precisaria. Quando puxa a carga de um colega sem que ninguém peça. Quando diz a verdade quando seria mais fácil ficar em silêncio. Quando faz bem feito mesmo sem plateia.
O balcão foi minha primeira escola de gestão. E até hoje, quando preciso recalibrar o que é importante, volto mentalmente para lá.
André Jander é Gerente Geral no Banco do Brasil em Cáceres/MT. Escreve sobre liderança, gestão de pessoas e evolução profissional.
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