Generalista ou Essencialista?

O livro Essencialismo, de Greg McKeown, tem um argumento sedutor.

Faça menos. Faça o que importa. Ignore o resto.

É um conselho que ressoa com quem passou anos gerenciando tudo ao mesmo tempo e sentia que entregava pouco do que realmente importava.

Eu já fui esse gestor. E lembro bem do momento em que decidi que precisava ser mais seletivo, proteger meu tempo, parar de correr atrás de tudo.

A decisão fez sentido. Por um tempo.

E foi justamente tentando aplicar o Essencialismo que descobri o seu limite.

Imagine um capitão de barco. O barco tem vários furos de tamanhos diferentes. Um deles é significativamente maior que os outros.

O essencialista puro foca no furo maior. É o mais crítico, é onde o esforço deve se concentrar. Os furos pequenos podem esperar. Não são o problema principal.

O problema é que furos pequenos ignorados acumulam água. Devagar, silenciosamente, sem aviso. Até que viram o problema principal.

Já vi isso acontecer.

Uma situação específica na carteira comercial tomava toda a atenção das reuniões. Era o furo grande. A equipe se organizava em torno dele, os esforços convergiam, a atenção era total.

Semanas depois, uma segunda carteira que parecia estável começava a apresentar problemas que ninguém havia acompanhado de perto.

O furo pequeno virou grande enquanto olhávamos para outro lado.

O Essencialismo é uma ferramenta poderosa. Mas pressupõe que você já conhece todos os seus furos, sabe o tamanho de cada um deles e tem confiança de que os menores não vão crescer.

A gestão raramente funciona assim. Os furos menores não agendam reunião. Eles só aparecem quando crescem.

A resposta que encontrei não é escolher entre foco total e dispersão total. É calibrar os dois ao mesmo tempo.

Foco concentrado no que é estratégico. Monitoramento ativo do que pode virar urgente amanhã. São coisas diferentes.

O gestor que ignora sistematicamente o operacional em favor do estratégico não está sendo mais eficiente. Está criando crises futuras enquanto resolve a atual.

O gestor que trata tudo com a mesma prioridade não está sendo responsivo. Está sendo reativo a tudo e estratégico em nada.

O equilíbrio não está no meio do caminho entre os dois perfis. Está em saber distinguir o que exige foco total do que exige apenas que você não tire o olho.

Passei a fazer uma pergunta toda semana, nos fechamentos de equipe.

Quais são os furos que não cresceram porque alguém está de olho? E quais estão crescendo silenciosamente porque estamos olhando apenas para o maior?

A resposta para a pergunta do título não é uma escolha entre generalismo e essencialismo.

É aprender a ser essencialista com o que importa e generalista o suficiente para não ser surpreendido pelo que parecia pequeno.

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